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O Campo Emergente da Capelania Psicodélica

A capelania psicodélica é uma atividade desenvolvida por capelães, pessoas que oferecem cuidados espirituais no contexto das terapias assistidas por psicodélicos. As autoras analisam essa atividade que vem se expandindo no norte global.

À medida que nos aprofundamos no movimento psicodélico, substâncias como o MDMA e a psilocibina se aproximam cada vez mais de serem aprovadas como medicamentos pela FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos). No entanto, no que se refere à compreensão de aspectos espirituais e religiosos relacionados às experiências psicodélicas, os modelos de pesquisa clínica e os paradigmas da terapia psicodélica ainda deixam muito a desejar. Nesse sentindo, atualmente, os capelães estão se mobilizando para preencher a lacuna deixada pelos modelos médicos e psicológicos, e vêm desenvolvendo formas de apoiar compassivamente os indivíduos em seus desafios espirituais e existenciais catalisados pelos psicodélicos.

O que é a Capelania Psicodélica?

A verdade é que muitas pessoas não entendem o significado do termo “capelania”, embora a demanda por capelães tenha aumentado nos últimos anos. Tradicionalmente, a capelania tem raízes nas tradições cristãs e protestantes, onde o termo “capelão” era usado para se referir a um membro do clero que cuidava de uma capela. Entretanto, com o passar do tempo, os capelães se ramificaram e agora existem capelães budistas, judeus, muçulmanos e até mesmo capelães ateus, capelães de múltiplos credos e capelães que não denominam sua fé religiosa.

Os capelães, com frequência, provêm apoio ao nascimento, aos cuidados de fim de vida e a outros tipos de estados de consciência não ordinários que ocorrem naturalmente, fornecendo cuidados espirituais, pastorais, religiosos e éticos em instituições seculares.

Jasmine Virdi y oriana mayorga

Em uma era secular e pluralista, o escopo dos capelães não está mais estritamente limitado às igrejas, e eles são conhecidos por atenderem indivíduos dentro de instituições privadas, militares, hospitais, hospices (centros de cuidados paliativos), prisões, universidades e mais. Os capelães, com frequência, provêm apoio ao nascimento, aos cuidados de fim de vida e a outros tipos de estados de consciência não ordinários que ocorrem naturalmente, fornecendo cuidados espirituais, pastorais, religiosos e éticos em instituições seculares.  Os capelães são treinados para ajudar pessoas a enfrentarem uma variedade de crises existenciais, seja uma pequena crise gerada pela incerteza ou pelas mudanças ao se casar ou ter filhos, ou uma crise maior, como o luto pela perda de um ente querido ou ser diagnosticado com uma doença grave.

O termo “capelão” às vezes é usado como sinônimo dos termos “provedor de cuidados espirituais” ou “profissional de cuidados espirituais”. Nos Estados Unidos, de forma semelhante aos terapeutas, para obter a sua certificação, os capelães profissionais ou prestadores de cuidados espirituais precisam, geralmente, realizar um mestrado em educação teológica, além de treinamento clínico supervisionado em tempo integral durante um ano e, às vezes, até mesmo obter ordens eclesiásticas. Além das qualificações acadêmicas, geralmente os capelães também necessitam da aprovação do seu grupo religioso ou espiritual, acrescentando um outro nível de responsabilidade dentro da sua prática profissional para com a comunidade a que pertence.

De acordo com Rachel Petersen, professora visitante da Harvard Divinity School, Diretora do Programa da Fundação Riverstyx e provedora de cuidados espirituais em treinamento, “capelania psicodélica se refere aos serviços de indivíduos certificados que fornecem cuidados espirituais e apoio ético para pessoas que estão passando por terapias psicodélicas”. Ainda assim, alguns profissionais do campo psicodélico ressaltam que a capelania psicodélica também pode se referir a capelães que trabalham com indivíduos em tratamentos psicodélicos que não se classificam necessariamente como “terapia”.

Ao que tudo indica, o termo “capelão psicodélico” foi introduzido no início de 2022 em uma discussão realizada no Centro de Estudos das Religiões Mundiais da Universidade de Harvard, explorando as funções dos cuidadores espirituais e capelães no apoio a indivíduos antes (preparação), durante e depois (integração) de experiências psicodélicas.

JASMINE VIRDI Y ORIANA MAYORGA

Ao que tudo indica, o termo “capelão psicodélico” foi introduzido no início de 2022 em uma discussão realizada no Centro de Estudos das Religiões Mundiais da Universidade de Harvard, explorando as funções dos cuidadores espirituais e capelães no apoio a indivíduos antes (preparação), durante e depois (integração) de experiências psicodélicas. Rachel Petersen abriu as discussões com a seguinte pergunta: “Quando se trata dessas terapias, nós precisamos de pessoas capazes de administrar drogas ou de oferecer orientação espiritual?”.

A verdade é que não há uma resposta clara a tal pergunta, porque os psicodélicos habitam um território desconhecido e misterioso, que resiste a uma categorização óbvia. Seriam os psicodélicos sacramentos sagrados que induzem experiências místicas e religiosas? Ou seriam medicamentos psicoterapêuticos revolucionários que ajudam a tratar condições de saúde mental? E se forem ambos, o que isso significaria?

A falta de uma capelania psicodélica sinaliza a necessidade de primeiramente  esclarecermos o que são os psicodélicos. Uma vez que os psicodélicos têm sido reinseridos, em grande parte, por meio da estrutura da ciência e da psicoterapia no Norte Global, essas substâncias têm sido vistas em geral como ferramentas psicoterapêuticas que aliviam os sintomas de várias condições de saúde mental, incluindo depressão, ansiedade e dependência de drogas, ao permitir o surgimento de novas perspectivas. Entretanto, este paradigma carrega o risco de se limitar a cura psicodélica às interações neuronais.

Em contraste com o paradigma clínico, os modelos de cuidado espiritual e capelania estão menos preocupados com o tratamento e a redução dos sintomas. Ao invés de patologizar a experiência de um indivíduo, a capelania se concentra nas questões existenciais e na atribuição de significados, aspectos por vezes negligenciados pelo ponto de vista reducionista materialista que domina a medicina ocidental.

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Em contraste com o paradigma clínico, os modelos de cuidado espiritual e capelania estão menos preocupados com o tratamento e a redução dos sintomas. Ao invés de patologizar a experiência de um indivíduo, a capelania se concentra nas questões existenciais e na atribuição de significados, aspectos por vezes negligenciados pelo ponto de vista reducionista materialista que domina a medicina ocidental.

Medicalização do Místico

Em um artigo escrito para a revista Forbes em 2021, Natan Ponieman explorou se a utilização de abordagens místicas no contexto da medicina psicodélica seria um impedimento para o crescimento do campo. Ponieman discute especificamente o Questionário de Experiência Mística, que tem sido utilizado há muito tempo – particularmente nos estudos com psilocibina na Universidade Johns Hopkins (EUA) – para avaliar a magnitude de estados místicos experimentados por participantes de pesquisas, empregando perguntas como: “Você sentiu um senso de unidade com a realidade última?”.

Há muito tempo, o potencial curativo dos psicodélicos tem sido associado às experiências místicas induzidas por essas substâncias, que produzem significados pessoais e espirituais importantes. No entanto, alguns pesquisadores defendem que misturar misticismo e ciência pode representar uma ameaça à credibilidade e ao potencial da ciência psicodélica, sugerindo que “o uso da estrutura da abordagem mística gera uma perspectiva indecifrável, na qual os pesquisadores do campo se contentam em tratar certos aspectos do estado psicodélico como estando além do escopo da investigação científica” (Sanders & Zijlmans, 2021).

Ao invés disso, Johnson sugere que os clínicos que trabalham com psicodélicos sejam extremamente cuidadosos para evitar introduzir conceitos místicos que não tenham sido validados pela ciência empírica, defendendo uma abordagem estritamente secular, que deixe as interpretações religiosas para o próprio participante decifrar.

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De forma semelhante, Matthew Johnson, pesquisador de psicodélicos da Universidade Johns Hopkins, publicou um artigo científico em que clama pela secularização da medicina psicodélica, sugerindo que um dos maiores riscos da abordagem psicodélica diz respeito à possibilidade de cientistas e clínicos imporem suas próprias crenças religiosas ou espirituais às suas pesquisas ou aos seus clientes, fornecendo-lhes um formato particular de interpretação da experiência. Ao invés disso, Johnson sugere que os clínicos que trabalham com psicodélicos sejam extremamente cuidadosos para evitar introduzir conceitos místicos que não tenham sido validados pela ciência empírica, defendendo uma abordagem estritamente secular, que deixe as interpretações religiosas para o próprio participante decifrar.

Rachel Petersen é uma pessoa que não encontrava respaldo no paradigma atual da pesquisa psicodélica e interessou-se pela capelania psicodélica devido à falta de orientação espiritual que ela identificou na sua própria experiência clínica.

“Fui paciente de um ensaio clínico para depressão na Johns Hopkins e tive o que me sinto confortável em descrever como uma experiência de conversão”, compartilha Petersen. “Eu estava muito confusa, porque pensava que os psicodélicos, supostamente, iriam apenas curar a minha depressão; mas me deparei com uma visão sobre a realidade completamente diferente. Eu me senti muito desconfortável com o fato de que um neurocientista e um psiquiatra me deram questionários para preencher com perguntas como: Em uma escala de 1 a 10, o quanto você sentiu ter encontrado a realidade última? ”, acrescentou ela.

Para Petersen, a capelania psicodélica se apresenta como uma forma de redução de danos espirituais no atual paradigma da pesquisa psicodélica. “O que está faltando é uma abordagem rigorosa e fundamentada que auxilie as pessoas a lidarem com as questões epistemológicas e ontológicas que podem surgir, mas nem sempre surgem”.

Se um participante tem uma experiência mística, pequenos atos de orientação e simbologias podem impressioná-lo com outras crenças, influenciando-o a associar suas experiências a um determinado tipo de simbolismo religioso.

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Em seu trabalho, Johnson identifica uma questão importante que muitas pessoas encontram em estados psicodélicos: a sua elevada sugestionabilidade. Como exemplo, ele menciona a prática comum de introduzir símbolos religiosos em ambientes clínicos psicodélicos, tais como uma estátua de Buda, utilizada anteriormente na Johns Hopkins, ou playlists contendo músicas religiosas particularmente associadas ao cristianismo, as quais têm sido utilizadas com frequência durante as sessões. Se um participante tem uma experiência mística, pequenos atos de orientação e simbologias podem impressioná-lo com outras crenças, influenciando-o a associar suas experiências a um determinado tipo de simbolismo religioso.

Como solução para este problema, Johnson propõe que terapeutas e pesquisadores adotem uma abordagem secular. Entretanto, Daan Keiman, Diretor de Desenvolvimento de Programas e Produtos do Instituto Synthesis, capelão psicodélico budista e facilitador de experiências psicodélicas, nos alerta a caminhar com cautela, ponderando que o secularismo não é existencialmente neutro e tais pressupostos podem ser prejudiciais a certas pessoas.

Diferentemente, Keiman defende o desenvolvimento do que ele chama de “integridade espiritual ou existencial” entre os terapeutas e pesquisadores psicodélicos. No paradigma da capelania psicodélica, isto significa que os prestadores de cuidados espirituais, tanto de abordagens específicas da fé como inter-religiosas, cultivem a capacidade de apoiar indivíduos independentemente das suas premissas religiosas.

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Diferentemente, Keiman defende o desenvolvimento do que ele chama de “integridade espiritual ou existencial” entre os terapeutas e pesquisadores psicodélicos. No paradigma da capelania psicodélica, isto significa que os prestadores de cuidados espirituais, tanto de abordagens específicas da fé como inter-religiosas, cultivem a capacidade de apoiar indivíduos independentemente das suas premissas religiosas.

“Precisaremos ter muitos profissionais religiosos para ajudar pessoas das suas próprias comunidades religiosas e que não querem se afastar de suas crenças, a entender o que os psicodélicos significam para elas”, diz Keiman. “Entretanto, é importante que o prestador de cuidados espirituais respeite o fato de que uma pessoa pode ter uma experiência que a leve a questionar ou mesmo a se afastar da sua tradição. Você precisa ter muita humildade e abertura para poder fazer isso”.

Conheça mais sobre a iniciativa de Reciprocidade Indígena nas Américas.

Os Capelães Psicodélicos Devem Ter Experiências Pessoais com Substâncias Psicodélicas?

No campo da terapia assistida por psicodélicos, persiste um longo debate sobre a necessidade de terapeutas terem ou não experiências psicodélicas pessoais. No contexto da capelania psicodélica, conclui-se que os capelães já possuem uma maior experiência com estados de consciência não-ordinários devido à sua prática espiritual profunda, bem como por meio do atendimento a situações que produzem naturalmente estados de consciência não-ordinários, como o nascimento, a morte, a perda e o luto. Além disso, a educação pastoral voltada à clínica convida os capelães a um profundo senso de autocompreensão, a fim de se tornarem mais aptos a cuidar de pessoas.

“Se um capelão psicodélico quer trabalhar com a preparação ou a integração e eles têm uma profunda compreensão teórica de como são os psicodélicos, eu não acho que seja necessário que eles tenham sua própria experiência, embora seja um benefício profundo se tiverem”, observa Keiman.

Daan Keiman faz uma distinção entre as várias fases de uma jornada psicodélica em que um prestador de cuidados espirituais pode fornecer apoio. Em especial, a preparação, a jornada em si e a integração. Keiman sugere que, na fase de integração, os capelães podem ser úteis para fornecer orientações e profundidade em torno de temas espirituais, religiosos e existenciais, sem patologizar ou enquadrar certos problemas em uma interpretação psiquiátrica restrita. “Se um capelão psicodélico quer trabalhar com a preparação ou a integração e eles têm uma profunda compreensão teórica de como são os psicodélicos, eu não acho que seja necessário que eles tenham sua própria experiência, embora seja um benefício profundo se tiverem”, observa Keiman.

Entretanto, quando se trata de guiar indivíduos através de experiências psicodélicas, Keiman acredita que seja quase antiético que capelães e prestadores de cuidados espirituais não tenham tido essas experiências em si. “Se você quer ser um capelão psicodélico que guia outras pessoas através dessas experiências, é extremamente importante que você tenha suas próprias experiências e que tenha estudado com profissionais experientes”, acrescenta Keiman.

O teólogo guerrilheiro – como se identifica – e terapeuta comunitário Ayize Jama-Everett enfatiza o valor da experiência psicodélica pessoal para capelães. “Ainda que duas experiências nunca sejam iguais, ao lidar com o inefável, um ponto de referência compartilhado pode ser crucial. E considerando que nem todos os compostos alteradores de consciência são ilegais, parece incongruente à boa prática que o capelão não se envolva também com este processo sagrado”. Além disso, existem inúmeras maneiras de se ter uma experiência com estados não-ordinários de consciência que não envolvem psicodélicos, incluindo oração, privação sensorial, tenda do suor, meditação e práticas respiratórias.

Sem dúvida, os capelães que de fato experimentaram experiências psicodélicas podem acrescentar uma outra camada de riqueza à experiência de uma pessoa. Entretanto, alguns hesitam em afirmar que a experiência pessoal com psicodélicos é um requisito para os capelães psicodélicos.

JASMINE VIRDI Y ORIANA MAYORGA

Sem dúvida, os capelães que de fato experimentaram experiências psicodélicas podem acrescentar uma outra camada de riqueza à experiência de uma pessoa. Entretanto, alguns hesitam em afirmar que a experiência pessoal com psicodélicos é um requisito para os capelães psicodélicos. Um possível obstáculo para os capelães que desejam ter experiências psicodélicas diz respeito às suas comunidades religiosas específicas, uma vez que muitas comunidades mantêm tabus e preceitos profundos em torno de substâncias intoxicantes e alteradoras da consciência, tornando difícil para esses capelães ter experiências psicodélicas para fins de treinamento.

Dessa forma, se queremos promover ativamente o diálogo em torno da capelania psicodélica, precisamos trabalhar para ampliar a educação religiosa dentro da comunidade psicodélica, ao mesmo tempo em que trabalhamos para aumentar a educação psicodélica dentro da comunidade religiosa.

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Capelães vindos de tradições institucionalizadas encontram certas barreiras com relação a experiências psicodélicas pessoais. No cristianismo, no budismo e no islamismo existem fortes códigos éticos e morais e proibições contra a inebriação promovida por substâncias psicoativas. E dentro da própria ciência existe um enorme tabu em relação à espiritualidade e à religião. Dessa forma, se queremos promover ativamente o diálogo em torno da capelania psicodélica, precisamos trabalhar para ampliar a educação religiosa dentro da comunidade psicodélica, ao mesmo tempo em que trabalhamos para aumentar a educação psicodélica dentro da comunidade religiosa.

Em resposta a isso, Jamie Beachy, codiretor do Centro de Estudos Psicodélicos da Universidade de Naropa (Estados Unidos), comenta que “capelães profissionais precisarão explorar oportunidades para ter experiências psicodélicas, e muitas vezes há tabus dentro de nossas tradições religiosas que precisaremos observar”.

Beachy espera que os capelães envolvidos nesse trabalho tenham humildade e vontade de fazer parcerias com as tradições indígenas e outras cosmovisões. Entretanto, alguns capelães psicodélicos  que fazem parte da comunidade negra observam que essa abordagem só é aconselhada se os indivíduos e grupos daquelas tradições também tiverem vontade e desejo de fazer tais parcerias.

“Muitas das nossas tradições religiosas não têm um respeito profundo pelas plantas de poder”, compartilha Beachy. “Mas essas barreiras não são impossíveis de ultrapassar e os capelães estão começando a explorar suas contribuições dentro de pesquisas e equipes de terapia psicodélica, bem como através da nossa participação em contextos cerimoniais”.

O Futuro da Capelania Psicodélica?

À medida que os ensaios clínicos continuam a estabelecer os precedentes do que será a terapia psicodélica, muitos sentem que é imperativo incluir mais capelães nos ensaios clínicos. Até o momento, poucos estudos psicodélicos incluíram prestadores de cuidados espirituais em seus protocolos.

Olhando para o futuro, fica claro que o movimento psicodélico terá que se abrir às perspectivas místicas e religiosas que a capelania tem a oferecer. Entretanto, capelães e membros de comunidades religiosas também terão que se abrir para abraçar os psicodélicos e os estados não ordinários de consciência.

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Olhando para o futuro, fica claro que o movimento psicodélico terá que se abrir às perspectivas místicas e religiosas que a capelania tem a oferecer. Entretanto, capelães e membros de comunidades religiosas também terão que se abrir para abraçar os psicodélicos e os estados não ordinários de consciência.  Refletindo sobre isto, Ayize Jama-Everett compartilha que “aqueles líderes religiosos das tradições principais podem ter que enfrentar as suas próprias tradições místicas, a sabedoria de tradições demonizadas como ‘pagãs’ ou ‘apóstatas’, e histórias de colonização e repressão realizadas em nome da sua fé. Os grupos marginalizados que mantiveram em segredo seu conhecimento de estados alterados de consciência terão que avaliar se agora é o momento de avançar ou se o ocidente ainda não está pronto para ter essa conversa”, acrescenta Jama-Everett.

À medida que nos aprofundamos no território do movimento psicodélico, devemos ter o cuidado de assegurar que exista um diálogo contínuo e multifacetado que abrace a diversidade de caminhos através dos quais a cura pode ser encontrada. À medida que continuamos a ampliar a discussão, abrir espaço tanto para o misticismo quanto para a ciência servirá para aumentar nossa compreensão do potencial dos psicodélicos.

O campo da capelania está se expandindo de maneira poderosa. Além de uma crescente aceitação de modelos de cura alternativos, o campo está se tornando mais diversificado. No entanto, no momento, a grande maioria dos capelães credenciados permanece formada por pessoas brancas. Organizações – como a Association for Clinical Pastoral Education – estão trabalhando arduamente para mudar essa realidade e aprofundar sua práxis institucional antirracista. É nossa esperança, e a esperança de outros capelães interessados na confluência entre psicodélicos e cuidado pastoral, que mais capelães pretos, pardos, asiáticos e indígenas liderem essa forma emergente de cuidado.

Arte: Trey Brasher

Este artículo fue publicado originalmente en inglés en chacruna.net

Tradução: Lucas Maia

Este artigo foi publicado originalmente em inglês em The Emergent Field of Psychedelic Chaplaincy – Chacruna.

Fontes adicionais

Beachy, J. (2021). Tending the sacred: The emerging role of professional chaplaincy in psychedelic-assisted therapies. MAPS Bulletin, 31(2). https://maps.org/news/bulletin/tending-the-sacred-the-emerging-role-of-professional-chaplaincy-in-psychedelic-assisted-therapies/

Center for the Study of World Religions. (2021). What is psychedelic chaplaincy? [Video file]. https://cswr.hds.harvard.edu/news/2021/03/08/video-what-psychedelic-chaplaincy

Chacruna Institute for Psychedelic Plant Medicines. (2022). Religion and psychedelics forum. https://www.eventbrite.com/e/religion-and-psychedelics-forum-tickets-167916720431

Sanders, J. W., & Zijlmans, J. (2021). Moving past mysticism in psychedelic science. ACS Pharmacology & Translational Science, 4(3), 1253–1255. DOI: 10.1021/acsptsci.1c00097

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